estrutura tritura
trincos de chave sem som
aos trancos e barrancos
arrancos de rã
on the road
tritura estrutura
cuspe de Iansã
sabão na boca
mel de metal
saliva pouca
no charco da avenida
fumaça digital
o corpo aberto aos pixels
alcachofra – jurubeba – boldo
estrutura tritura
santo do pau oco
voz insana
beco, x-tudo
gengivite
boca, x-9
afta na garganta
nafitalina nos bolsos
e o crack no sonho dos meninos de calçada
tritura estrutura
tritura
tosse de tuberculoso
voz de gaveta
que atravessa o ventre
fome que come a própria fome
sísifo sifu
funde-se o vento ao muro
estrutura tritura
pão com mortadela
a morte do amor
barbarela
a morte do feto
no maço de cigarro
cigana vênus veneno
voz de dentro
eu sem voz
você sem vício na catedral
dos mais de cem mil
detentos
que aguardam o julgamento final
envoltos
entre o céu e o precipício
a terra mais nuvem
que eu?
o céu mais raiz
que você?
tritura estrutura
tritura
19 Novembro 2009
01 Novembro 2009
levar o pensamento até onde
o outro está
sentado só, longe de casa
na mesa de um bar.
Levar o corpo até onde
se encontrar:
na ausência do outro olhar.
o outro está
sentado só, longe de casa
na mesa de um bar.
Levar o corpo até onde
se encontrar:
na ausência do outro olhar.
25 Outubro 2009
15 Outubro 2009
treponema
alguma palavra há de existir
que se lance, mosquito na pedra
que se junte ao abraço do estranho
alguma palavra: treponema
que quebre a maçã do sêmen
trinta e um anos e nenhum problema resolvido
sequer colocado
trinta e um anos e o busto de Drummond me serve de colo
alguma palavra há de sair
goela adentro
da espinha ao pensamento
alguma palavra acalanto
de vulcão
que se lance, mosquito na pedra
que se junte ao abraço do estranho
alguma palavra: treponema
que quebre a maçã do sêmen
trinta e um anos e nenhum problema resolvido
sequer colocado
trinta e um anos e o busto de Drummond me serve de colo
alguma palavra há de sair
goela adentro
da espinha ao pensamento
alguma palavra acalanto
de vulcão
06 Outubro 2009
adiós mercedes sosa
vá com sua voz
sosa
sózinha e com todos
deixe-nos à mercê de
ser o imprescindível que você é
vá com sua voz
como mensageira de outro mundo
drume, drume negrita...
sosa
sózinha e com todos
deixe-nos à mercê de
ser o imprescindível que você é
vá com sua voz
como mensageira de outro mundo
drume, drume negrita...
12 Setembro 2009
oxum
ela via a lua ela via o rio e quando ela queria dançar ela cantava Yemanjá e quando ela queria meditar ela pensava no mar.
E como se ela soubesse que a cada dia a vida aqui não pode ser isso só e não é só isso não e ela olha a lua e o rio passa e na sua cabeça dança Yemanjá, e a saudade que pode vir do mar a saudade de saudar o barco que vai
e vai passar .
ela sabe de não saber como é o rosto de sua mãe e uma linha do rosto de sua mão que salta sempre na hora em que ela se olha no espelho e então ela vibra ela vibra de dançar de não saber como dança o mar e então ela se escorre pela correnteza do rio e ela sabe que a vida escorre como a mãe segue a vida que não se segura porque a vida escorre feito uma flauta que esqueceu o sopro em algum lugar.
longe, bem longe de onde é lá
e então ela vê sua prima sua prima que se joga numa arena escura à luz de vela e ela vê o manto e o manto não mente e o mito não omite que a prima quer e busca e quer dançar e oxum oxum quer soltar e joga e escorre cachoeira e solta seus seios e joga seus anseios na arena e joga no rio e ela não pode mas ela quer mas ela quer e ela não pode dançar oxum e esquece o espelho no banheiro e o espelho de oxum no banheiro sua prima entrega e escorre seus cabelos feito dedos de pente fino no pudor de sua insegurança que quer ir que quer ir e ela olha ao redor toda a santa proteção que lhe concede a família toda excessivamente quer sua proteção e ela quer sair e sua prima entrega o espelho o espelho aqui oxum cante o pente que espanta as pedras do coração pra
longe, bem longe de onde é lá
E como se ela soubesse que a cada dia a vida aqui não pode ser isso só e não é só isso não e ela olha a lua e o rio passa e na sua cabeça dança Yemanjá, e a saudade que pode vir do mar a saudade de saudar o barco que vai
e vai passar .
ela sabe de não saber como é o rosto de sua mãe e uma linha do rosto de sua mão que salta sempre na hora em que ela se olha no espelho e então ela vibra ela vibra de dançar de não saber como dança o mar e então ela se escorre pela correnteza do rio e ela sabe que a vida escorre como a mãe segue a vida que não se segura porque a vida escorre feito uma flauta que esqueceu o sopro em algum lugar.
longe, bem longe de onde é lá
e então ela vê sua prima sua prima que se joga numa arena escura à luz de vela e ela vê o manto e o manto não mente e o mito não omite que a prima quer e busca e quer dançar e oxum oxum quer soltar e joga e escorre cachoeira e solta seus seios e joga seus anseios na arena e joga no rio e ela não pode mas ela quer mas ela quer e ela não pode dançar oxum e esquece o espelho no banheiro e o espelho de oxum no banheiro sua prima entrega e escorre seus cabelos feito dedos de pente fino no pudor de sua insegurança que quer ir que quer ir e ela olha ao redor toda a santa proteção que lhe concede a família toda excessivamente quer sua proteção e ela quer sair e sua prima entrega o espelho o espelho aqui oxum cante o pente que espanta as pedras do coração pra
longe, bem longe de onde é lá
07 Setembro 2009
máquina maquina
02149223262497 é o número do protocolo. Estou impossibilitado de me conectar, sem conexão. Aguardo na linha o reparo técnico. Quem me atende é uma máquina, ela entende o que falo. Ela me pede para dizer sim ou não. E eu digo sim, digo sim e depois não. Ela só entende sim. Então eu repito sim e grito não. A máquina me encaminha a outro setor de atendimento. Outra máquina intervém. Dessa vez, ela me pergunta o que desejo. Eu digo: você. Ela não me entende. Então ela pede pra repetir. Eu repito, eu quero você eu preciso de você, ninguém mais habita meu ser além de você. A máquina repete que não entende, na mesma voz doce e metálica. Sinto tesão. Falar com uma atendente máquina passa a me excitar. Ela então diz que vai verificar meu sistema. A verificação do sistema é lenta e a máquina pede desculpas pela demora a cada 1 minuto programado. Me sinto deliciosamente invadido e, a cada um minuto, ejaculo esse líquido virtual que habita meu corpo.
25 Agosto 2009
larval - video poesia
Larval
Do latim “larvare”, larva é também "máscara fantasma". Para fugir da República de Platão e fazer da larva nossa potência criadora.
Assista no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=PYu5nJRCm7I&feature=channel_page
Do latim “larvare”, larva é também "máscara fantasma". Para fugir da República de Platão e fazer da larva nossa potência criadora.
Assista no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=PYu5nJRCm7I&feature=channel_page
10 Agosto 2009
só lhe dão
a explosão de meus olhos
é a única arma que
tenho a oferecer
para escapar da solidão
desse baile de ipods
onde cada um dança sua própria música
é a única arma que
tenho a oferecer
para escapar da solidão
desse baile de ipods
onde cada um dança sua própria música
06 Agosto 2009
dance
comece do avesso
percorra as trilhas que seguem suas veias
mesmo sem vê-las
rompa com as determinações
procure um corpo que caiba no seu
e dance
dance
percorra as trilhas que seguem suas veias
mesmo sem vê-las
rompa com as determinações
procure um corpo que caiba no seu
e dance
dance
Assinar:
Postagens (Atom)